ser humano, solidariedade, Media, Crónica

Dar voz às realmente raríssimas

Vamos deslindar sentimentos.

Vamos separar águas.

Vamos superar a fúria.

Exercícios difíceis para quem se deparou com a vergonha do desvio de dinheiro público e donativos na raríssimas. De uma associação, ainda para mais designada IPSS, espera-se seriedade, trabalho, muita responsabilidade, muito empenho, sobretudo, muito respeito pelas pessoas, que em dificuldade, dependem da instituição.

Como em tudo na vida, existem profissionais bons e maus, colegas bons e maus, pessoas boas e más. Existem IPSS boas e más. Urge o desafiante exercício de saber em quem confiar, onde depositar o sacrifício do voluntariado e do donativo.

Ponhamos em prática a frase batida: não julgar o todo pela parte.

Abençoado jornalismo, ainda vivo, ainda a respirar que deu a conhecer à sociedade civil o escândalo ‘raríssimas’, longe de estar concluído, e não sejamos ingénuos: a ponta do icebergue do que existe por aí.

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criança, Literatura, livros, ser humano, solidariedade

‘que luz estarias a ler?’

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Que luz estarias a ler? é um livro escrito por João Pedro Mésseder e ilustrado por Ana Biscaia. É um conto real para adultos e crianças. Eu li à minha filha de 6 anos. No fim pedi-lhe que sempre que tivesse uma reclamação a fazer pensasse no nome Aysha.

Ia o mês sete e oito de 2014 quando as bombas israelitas mataram crianças palestinianas numa escola na faixa de Gaza. A história pela pena de Mésseder e o olhar do desenho da Ana Biscaia conta este momento trágico na frágil história da Humanidade.

Aysha uma menina palestiniana que via nos livros uma luz que a distraia no som da sirenes, das bombas, dos humanos aflitos. Ela e os amigos liam histórias, aliviavam o sofrimento em páginas de livros da escola. Naquele dia em que a escola de Aysha foi bombardeada, a menina perdeu o melhor amigo, Kalil.

Aysha pergunta ‘que luz estarias a ler?’ quando o amigo Kalil perdeu a vida no meio de uma batalha de governantes.

Há aqui uma metáfora entre a literatura e a realidade das coisas. Para quem ainda se pergunta para que servem os livros, respondo: para isto mesmo, uma luz que nos distrai da sombra dos dias.

A cada reclamação, um nome: Aysha.

 

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livros, mulher, feminismo, Literatura

“Ora, o leitor sabe muito bem que eu nunca tinha feito nenhuma promessa formal nem assumido compromissos”. O ténue feminismo de Bronte em 1847.

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Charlotte Bronte escreveu A Paixão de Jane Eyre em 1847. Foi o seu primeiro romance, adaptado diversas vezes ao grande e ao pequeno ecran. É uma obra esplêndida, um livro muito bem escrito, onde as palavras trazem imagens a ilustrar cada página.

Fiquei fascinada com o estilo vitoriano que não destoa nos dias de hoje. Uma cadência natural da história, e sobretudo, um feminismo à época pouco usual mas que está aligeirado em algumas linhas.

Jane uma mulher feia, maltratada na infância que soube colocar a vida nos trilhos que ela própria comanda. Dura nas suas opiniões e fiel ao seu espírito, mulher que foge de dependências e constrói a independência. É uma mulher insubmissa – o que acho admirável à época; descrever-se e escrever-se linhas com tais características numa mulher. Não sei se na ocasião se se chamaria feminismo, mas hoje, Jane poderia bem ser uma feminista a lutar pela igualdade de género.

O estilo vitoriano descobre-se não só pela época em que foi escrito o romance, mas na abordagem que a escritora faz ao leitor. Frequentemente dirige-se à audiência como se estivesse a contar a história num palco de teatro: caro leitor, o leitor sabe, etc. Isto aproxima sem dúvida o relato do leitor.

É uma espécie de conto de fadas. O relato é feito na primeira pessoa. A infância da personagem principal, Jane Eyre, é dura. Gata borralheira numa casa de madrastas. Logo, a vida encarreira Jane ao destino de Thornfield Hall onde conhece o seu príncipe encantado, Mr. Rochester, que igualmente feio, e mais velho vivem uma história a quebrar os padrões da sociedade da altura: apaixonam-se e decidem casar.

Eis que acontece aqui o desequilibro na narrativa: não podem casar por uma descoberta que exige uma reflexão sobre a moral. Não casam. Por enquanto.

A aventura continua.

Convido a folhearem as 530 páginas numa edição da Círculo de Leitores que arranjei numa livraria antiga na rua José Falcão no Porto. Na Penguim são 447 páginas. Procurem o livro e tirem o véu que cobre o romance. Vale a pena!

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Arte|Exposições

Rostos centenários no Bolhão

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Ontem esbarrei nestes rostos centenários na estação de metro do Bolhão. Uma exposição que reúne cerca de 20 caras que ultrapassaram um século de vida, oriundas de todo o país. A colecção pertence ao fotógrafo Marco Garcia que contou com o apoio da Universidade do Porto e do Porto4Ageing, Centro de Excelência em Envelhecimento Ativo e pela câmara do Porto. De acordo com o portal Notícias Universidade do Porto o último censos nacional realizado em 2011 contou 1526 cidadãos com idade superior a 100 anos. Um número muito superior ao contabilizado no censos de 2001: 589 pessoas com 100 anos de vida.

 

 

 

 

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Teatro

Fila J

Teoria 5S  estreia esta sexta-feita no Rivoli às 21:30. Quem não tiver oportunidade de ver a peça sexta, há a hipótese de sábado às 19:00. Ainda há lugares e o preço dos bilhetes é muito bonitinho. Esta teoria 5S é levada a cabo pela companhia de teatro Visões Úteis, e além, de entrarem em cena a Ana Vitorino, a Ana Luísa Rodrigues e o Carlos Costa, o Óscar Branco e o Jorge Paupério também se juntam à paródia que quer perceber até que ponto somos minimalistas.

Acima deixei link para o trabalho da TSF do programa Fila J que esta semana versou sobre esta teoria 5S.

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feminismo, Media, mulher, ser humano

Hoje na RTP 2 pela 23:41 será exibido um documentário de José Carlos de Oliveira sobre as vozes femininas na comunicação social portuguesa: “Falar no Feminino – A Informação no Feminino”.

É sempre pertinente falar sobre a voz da mulher no jornalismo, na sociedade. Justamente numa altura em passam três meses do brutal homicídio da jornalista freelance sueca Kim Wall em exercício da profissão. Numa altura em que saem acórdãos de juízes que citam a bíblia para atenuar penas de violação doméstica e apontam o dedo moral a mulheres adúlteras, cito. Numa altura em que chovem denúncias de assédio sexual no mundo do trabalho, particularmente contra mulheres.

Por muito que o mundo avance parece que a igualdade, o respeito, a educação e a cultura de uma sociedade adormecem. Por isso, é bom levantar a voz, e feminina, para não esquecer. Lembrar que as Constituições mudaram, os sutiãs foram queimados, mulheres mortas e feridas e que houve quem atirasse por nós para conquistar a liberdade. É preciso faltar à educação e levantar a voz, em grito, para recordar aqueles valores e princípios.

Não há dia que não me venha à memória o nome Kim Wall. Os amigos e família organizaram um fundo para lembrar a jornalista assassinada  – www.rememberingkimwall.com. O memorial online pretende não só relembrar a jornalista, mas também recolher doações monetárias a fim de ajudar jornalistas, mulheres independentes, freelance a manter uma carreira digna e segura.

Como é possível depois de séculos de batalhas, em pleno século XXI, se desempenhe uma profissão tão libertadora de forma tão insegura? Como é possível tanta coisa?

 

 

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alegria, ser humano

Retirei-me em retiro

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Vivi uma experiência limpa.

Retirei-me para viver um retiro.

Retirei-me do bulício. Retirei-me dos dias.

Meti-me noutros dias. Esvaziei a pele suada de todos os dias.

Abeirei-me do silêncio. Vesti a estranheza.

Respirei sabedoria do outro mundo.

Percorri o som das folhas pelo chão.

De olhos fechados, com as mãos abertas e o corpo em movimento.

A mente reforçou a consciência. A consciência reforçou a mente.

A gratidão permaneceu na mansidão de acreditar que nada é permanente.

Sentidos em movimento. Meditação que me leva os pensamentos.

 

 

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