Da alegria

Se queres ser alegre, faz uma viagem de metro. A senhora do lado muito espevitada, sorri de uma orelha á outra. Tem uma amiga que condiz com a alegria dela. É impossível dormir na primeira hora do dia, no aconchego do banco no metro.

o que é preciso é alegria e força no pau

O quê? Parou tudo!
Acordámos todos, assim, em sobressalto. Aquilo não foi uma frase, foi um comprimido esctasy no ouvido. Pow. Logo de manhã, quando ainda estamos como os gatos a lamber os olhos. Espero encontrá-las novamente. Porque gente boa sorri. E faz sorrir.

 

alegria
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dia internacional do ser humano

A semana passada assistimos ao triste episódio de um eurodeputado dizer no Parlamento Europeu que as mulheres devem ganhar menos, uma vez que “são mais frágeis e menos inteligentes”. isto, foi dia 2 de Março de 2017. 2017.

Hoje, no dia internacional da Mulher, querido, envio-te estas palavras, para que aprendas, embrulhes e te lembres sempre:

Fixa estes grandes nomes de feministas, mulheres, pessoas, seres humanos que fazem de ti um nojo:

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No desgaste do dia

Há uma pequena que me fita o olho já no desgaste do dia. Será que me tenta adivinhar os sonhos? Eu tento adivinhar os dela. Quer ser mãe e ter filhos, muitos – quando crescer. Depois quer ser médica, ao mesmo tempo de cantora, claro. Quer correr o mundo com o apaixonado, as amigas, e os filhos. Quer crescer e ver os pais sempre no mesmo lugar – nem mais novos, nem mais velhos.

Possivelmente, a garota de fita à roda da cabeça já me acha crescida o suficiente para ter todos os sonhos dela e mais alguns. Conto-lhe a verdade? Que a vida é longa, mas também curta para somar sonhos. Todos, pelo menos. Que um ou outro andaram perto, que um se realizou que até parece mentira, e uns quantos andam aos caídos em agendas, em pontos de ‘cheklist’ à espera de visto de concretização? Que existe tanta coisa fora do nosso controlo que sabemos na realidade da idade que não vão sair do papel?

Esta realidade  que contrasta com a inocência dos olhos da menina que me fita…já no desgaste do dia…a contrastar com o desgaste dos anos.

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O som que o metro faz ao chegar

O Porto foi considerado, uma vez mais, o melhor destino europeu, e o sol regressou ao céu, em esplendor. A acompanhar a farra destes dias que eleva o sentimento tripeiro assiste-se à mudança de humor nas pessoas que levam a vida pelo metro. Se antes, em tempo de chuva, as caras acabrunhadas passeavam-se em silêncio; hoje as portas do metro rangem novamente. Assim como, penso, os versos da Ana Luísa Amaral. ‘O som que os versos fazem ao abrir’, escreve a poeta. Quer-me parecer que o som será idêntico, de felicidade pardacenta. Como o Porto. Sempre na sombra de um sol deslumbrante, ‘a moer um sentimento’. Não é assim?

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Os rostos cansados pelo metro

As caras estão gastas e logo de manhã. Maquilhagem forçada nas mulheres que acordam cedo-ainda-antes-do-cedo com este propósito. Homens com olhos ainda arrepiados com a primeira água do dia. O que faz isto a estes rostos sem cor? O tempo sem tempo? A correria a enganar o tempo até ao metro?

Pessoas que falam com auscultadores, que não respondem a bons-dias, que negam cada olhar.

Sentam-se como se a carruagem estivesse sem gente. Como se fossem eles toda a gente, ali e no mundo.

Sem olhar o lugar do lado. Onde está o outro.

De manhã sentam-se com rostos que rejeitam outros rostos –

que rejeitam os já rejeitados.

Manhãs limpas em rostos sujos.

Por isso gostava de te dizer, coloca um tempero a condizer com a tua manhã. Para que ela caia em graça no prolongar da tua alvorada.

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O sol comido pelo relógio.

A mudança de hora mudou o desenho nas caras das pessoas. Agora escurece mais cedo, e os sorrisos também recolhem mais cedo: parece-me. A luz acende mais cedo dentro da carruagem e os bocejos crescem, pois apesar do relógio ainda estar longe da noite, o sol cai do céu – cedo demais.

A mulher que segue à minha frente mexe no relógio,

-acerta a hora? pergunto-me.

Ajeita o dia, a ver se equilibra a natureza e o espírito?

Não sei. Sei que este sol, com o tempo a prazo, parece comido com a mudança da hora.

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Outono no metro

O Outono está a intrometer-se nas carruagens do metro. Entra desvairado, ora molhado, ora seco-em-folhas-castanhas. As roupas crescem pelo corpo, os adereços das senhoras multiplicam-se da cabeça aos pés – a moda está no ar, que é como quem diz, está no metro. Mudanças. Assim como as cores das linhas do metro, o transbordo, a estação do ano muda e a vida nos carris e dos carris acompanha a tendência. Sobretudo, já se espirra. Os óculos de sol são para o estilo.O sol apenas tempera o ambiente. A chuva começa a sorrir. Sim, a chuva também sorri.

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Das línguas e das cores

há um grupo de pessoas que se apodera do quadro com as informações sobre horários e zonas no metro. falam alto. ainda não os tinha visto da escada rolante e já imaginava o cenário: espanhóis, histéricos. aproximei-me do quadro, porque queria saber uma informação. mas esses espanhóis, desde há três séculos que nos querem à força – seja terra, mar, ou o quadro com as informações sobre as linhas do metro. de rompante olham para trás. deparam-se com o meu olhar intrometido, à espera de uma oportunidade de me infiltrar naquela tertúlia sobre para onde vai este e aquele metro. fui presa fácil. apontaram-me os canhões das perguntas: quero ir para aqui, como faço? [sempre em espanhol, claro!] e eu, em português [sempre, claro, por patriotismo, apenas]: é assim, assim, assim. uma verdadeira professora, apontar para o esquema do metro, a explicar tudinho. os ‘ muchachos’ na casa dos 50 anos foram embora e nem um ‘gracias’. bem posso viver sem ‘gracias’. não o fazia na terra deles, e ainda bem que houve um 1º de Dezembro e o grupo dos Quarenta Conjurados.

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Dos livros

Na carruagem do metro que eu escolho vão sempre pessoas com livros como se fossem filhos. Os livros sentam-se no colo, a pessoa está ali mas não está ali. É aqui que a minha curiosidade extravasa. Seja homem ou mulher, agarra o livro como se alguém fosse agente de execução e penhorasse o livro. Agarram com força o livro nas mãos, encostam-no à cara como se se tivessem esquecido os óculos em casa, e sempre que algum olho alheio tenta perceber o título ou o autor, o livro, na carruagem como troféu, é imediatamente escondido entre os braços. ‘tu põe-te fina, tu nem tentes pegar no livro, tu não olhas o meu livro, o livro é só meu’. É um gesto mimado. Escrevia eu que as pessoas que lêem no metro não sabem que estão no metro. Navegam. Viajam – dentro de si mesmas. Tornam-se outras – nos breves minutos que a viagem do metro dura – as mesmas linhas de uma história qualquer fechada entre duas capas – as pessoas que trazem ao colo um livro não tiraram o andante, mas sim um bilhete além da minha carruagem.

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Da música

Onde há música há alegria. Mas não é tanto assim, quando a melodia sai dos ouvidos de qualquer um no metro. Seja manhã, tarde ou noite, há gente e gente com phones enfiados nos ouvidos, a tentar ser invisível ao mundo. Só que o que acontece é precisamente o oposto. gente no metro com phones colados nos ouvidos atrai tudo e todos. Atrai ainda mais gente. Gente que não se importa, gente que curte, gente que não suporta, e gente que bufa. É que a música não lhes fica apenas nos ouvidos. Sai de lá de dentro e impregna-se em tudo quanto pode. Parece uma daquelas roupas que fica trilhada na gaveta do armário , se não a fecharmos com cuidado. Num destes dias no metro, um rapaz ia com a música aos berros nos ouvidos. E dormia. Pacientemente. Música? O som ia mais ou menos assim: tz, tz, tz, tz. Não saía disto. Há gostos para tudo. As frases dos avôs fazem cada vez mais sentido. A vizinha, sentada no banco ao lado bufava por todos os lados. Mexia-se no assento. Mas o rapaz não acordava e a música não se calava. Coube-me a missão de tirar o rapaz do mundo dos sonhos. Olhou-me de lado. ‘Será que podias baixar o som, se faz favor’, pedi. ‘rgghhhrrrgghh’, respondeu. A senhora agradeceu com um sorriso. Voltou a realidade com a música de todos os dias.

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