Gude laka

por esta altura invejo os turistas do porto. andam por todo o lado. utilizam o metro para todas as deslocações. e, por norma, sabemos exactamente quando retornam ao país de origem – ar cansado, adormecidos no ombro do companheiro de estadia, malas sujas pelos dias, abundantes em sacos-souvenirs. câmaras como colares, memórias dos clérigos, da ribeira, das galerias, das sardinhas de matosinhos, dos museus, do eléctrico até à foz. e das pessoas genuínas como o mar. os turistas não sabem, mas contactam com o bairrismo sem perceberem.
viagem entre a trindade e francos: uma mulher, deve ter 35 anos mas aparenta mais dez, marcada pelos vícios; lê a Maria como quem decora um texto para um exame – olhos colados às páginas. ao lado, um casal-turista: aspecto de quem engoliu a cidade de uma só vez; falam inglês entre si.
chegada a francos, a mulher com toda a sua alma, simpatia humilde, diz: ‘u turists, u sepike ingeles, ai sepike, gude laka, bye bye’.
o casal-turista, sem responder, ficou palerma a olhar mais um aspecto cultural que não vem nos guias: a transparência de uma cultura local sem limites, um bairrismo nobre, que abraça-abraça-abraça.

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