Oh Maria, estás aqui!?

De manhã o metro segue sossegado. Qualquer som desperta qualquer olhar. O som daquela manhã fez tremer as carruagens inteiras. Vai cada passageiro na sua vida – as mulheres com as carteiras ao colo como um filho; os homens com o olhar alheio em algum ponto do ar. E, nesta respiração leve de cada um, o metro pica mais uma estação, e nesse momento, ao invés de chegar um passageiro, chegou uma voz. Som feminino esbaforido e sumido. ‘Oh Maria, estás aqui?’. Foi mais: ‘OH MARIIIA, ESTÁS AQUI?’ Penso que todos os passageiros, na sua vida, se perguntaram, se não seriam a Maria; quanto mais não seja para agradar ao empenho, à desvergonha daquela voz assumida e destemida. Ficámos sem saber se a voz era loira ou morena, ou gorda ou magra. Apenas foi validada a voz naquela viagem, sem andante. Uma coisa foi certa: em alguma carruagem naquela manhã do metro do Porto estaria uma Maria, na sua vida, com a carteira ao colo como um filho e uma voz carente no seu rasto.

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