O chinês

8h30. nem isso. olhares de compromisso com a cama – ainda. uns fumam. outros validam à pressa o seu andante para o metro. umas bocas abrem em preguiça, a acordar para a agenda do dia. cada um nos sapatos e fatos seus. cada um na sua vida. umas caras mais felizes do que outras, à espera do metro e do dia. é ali na estação do metro que começa a pressa do dia. é ali que também o relógio boceja pela última vez até alinhar os ponteiros com os olhares dos proprietários. de repente. de repente um homem, de cara chinesa, agarra no telemóvel e fala. põe todo o cenário que sempre arruma aquela hora do dia em sobressalto. os bocejos descoordenam. os relógios desorientam-se. os olhares focam-se. no chinês. que decide falar alto. e, ainda por cima, em chinês. dong ding dong. dong. ding. dong. dong ding dong. aquilo foi um despertador. um motivo. basta um motivo para o dia começar com interesse, com magia, enfim, com uma estória para contar no local de trabalho na hora da pausa. ‘sabes hoje ouvi chinês’, ‘não percebi nada’, ‘mas o meu dia começou assim’, ‘da china de ramalde com amor’.

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