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manjar e não manjar

ela, mãe, espetou o teste de inglês da filha na cara do pai. a filha encolhia-se até onde podia no banco ao lado da mãe. as palavras da mãe eram confetis no ar. ‘ela não manja nada de inglês. se se admite, satisfaz’. a filha de 12 anos num corpo de 14, sorria-se cada vez mais fundo no banco. todos na carruagem ficámos a saber que o inglês não é o forte da garota. o pai fungava risos no lenço que levava ao nariz cada vez que falava. ‘manjas tu, querem ‘ber’. ‘eu na idade dela manjava’. a garota intrometia um ‘mas’. mas os pais empurravam lá para dentro do corpo de 14 o ‘mas’. e a garota continuava a tentar projetar cá para fora ‘mas’. e os pais não manjavam que a filha queria talvez vincar alguma ideia naquele satisfaz de inglês. ‘mas’, venceu, por fim, a garota, ‘tirei excelente a físico-química’. quis-me parecer que toda a carrugem a quis felicitar, aplaudir, festejar o excelente. porque, há uma leve certeza em mim que são poucos os que ‘manjam’ de símbolos químicos.

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