Dos gestos mal criados

os dois garotos despem-se até à última brecha da porta do metro. a porta fecha-se. ela sai de cena, ele fica. ele fica e fica também a última imagem que a miúda deixou para ele e para todos os passageiros que estivessem a apreciar o momento. a miúda despede-se com o dedo médio da mão no ar. encolheu os restantes dedos e exibiu o dedo proibido. fez-me lembrar o mister bin. a cena era a mesma. o mesmo dedo. utilizado numa despedida e à descarada. só que. só que estava a senhora de nariz altivo, roupa altamente engomada, sapatos e carteira exemplarmente brilhantes, e a postura rigorosamente alinhada com o varão do metro. – o menino não tem vergonha? o menino teve uma vergonha do tamanho de duas grandes maças vermelhas a crescer-lhe nas bochechas. tanta vergonha que até me fez crer que mal o metro despachou passageiros na estação seguinte, o menino despachou-se a ele mesmo a fugir das próprias bochechas.

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