Dos picas

As mulheres roliças empurraram-se para dentro do metro. Traziam sacos, carteiras, mochilas com rodinhas, e sobretudo traziam o próprio peso. Suor de um dia inteiro, tatuagens gastas pelo tempo a contar histórias de homens apaixonados de espingarda na mão. Falavam como num auditório, muito alto. Sobre ‘a morcona da mulher do tone que nem um filho da puta de um peixe sabe fritar’. Tinham o cabelo manchado de cores. O entusiasmo das duas foi interrompido pela presença dos ‘picas’. Tantos sacos, carteiras, mochilas com rodinhas e nada de andante. O ‘pica’ não pôde picar e por isso multou. ‘oh foda-se, oh pica, deixe passar esta, é só uma paragem’. ‘oh caralho, onde é que você ‘tava que num o ‘bi’…olhe, se sabia, ia noutro’. O ‘pica’, um senhor bastante simpático para a linguagem que lhe era dirigida, explicou minuciosamente à mulher roliça mais descontrolada que eram ‘as regras’. mas a mulher podia até saber fritar melhor peixe do que a mulher do tone, mas regras não era a sua praia. Dizia ela que mal abandonasse o metro ia rasgar o papel da multa e esquecê-la. O senhor ‘pica’ pediu-lhe ‘respeito’. Será que é respeito no pagamento das facturas que o país nos anda a pedir há muito tempo? Será que foi esse o metro que apanhámos sem pagar bilhete?

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