Os rostos cansados pelo metro

As caras estão gastas e logo de manhã. Maquilhagem forçada nas mulheres que acordam cedo-ainda-antes-do-cedo com este propósito. Homens com olhos ainda arrepiados com a primeira água do dia. O que faz isto a estes rostos sem cor? O tempo sem tempo? A correria a enganar o tempo até ao metro?

Pessoas que falam com auscultadores, que não respondem a bons-dias, que negam cada olhar.

Sentam-se como se a carruagem estivesse sem gente. Como se fossem eles toda a gente, ali e no mundo.

Sem olhar o lugar do lado. Onde está o outro.

De manhã sentam-se com rostos que rejeitam outros rostos –

que rejeitam os já rejeitados.

Manhãs limpas em rostos sujos.

Por isso gostava de te dizer, coloca um tempero a condizer com a tua manhã. Para que ela caia em graça no prolongar da tua alvorada.

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