Imagem poética

as palavras foram esquecidas pelo chão. ninguém teve o vagar, o espaço, o tempo de lhes dar melhor destino do que o papelão. foram descuidadamente pousadas no chão, onde mijam os cães, onde rasteja o sol e a chuva. alguém depositou ali aquele pedaço de passado. penso que talvez o objectivo fosse apagar a sombra daquelas cartas escritas à mão com letra minuciosa, papel dobrado em três – segredo escancarado na luz do dia. uma imagem poética que me persegue o passo: que falarão aquelas cartas? que história contam? quem as protagoniza? também pensei: o que é lixo e o que não é lixo? ganhei vontade de visitar o meu espólio de cartas. como reagiria? será que as despacharia aproveitando o sopro do vento? ou deixá-las onde estão, no pó do passado?
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