alegria, mulher, ser humano

Dona Esperança

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Deve ser bom viver empoleirada na janela de casa. Lá em cima. De onde se vê e onde se passa facilmente despercebida. Gosto de imagens assim: uma mulher, velha, simpática, despachada, rugosa como a própria aldeia. Foi pouco tempo de diálogo, mas o suficiente para imaginar. Na rua da sua casa passam muitos caminheiros. Imaginará ela também as suas histórias?

Eu imagino-a viúva – a pista foi o preto da camisola. Rija e desconfiada – na aldeia é assim que se é. Solitária? À janela na hora do almoço a afirmar que agora ‘já só vai uma sopinha’, faz-me crer que sim. Certamente com a descendência lá fora a ganhar o pão de todos os dias e mais os dos que virão. Um ouvido na televisão e o outro no sino da igreja. Tem um nome invejável. Para ser lembrado todos os dias. Esperança – no hoje, no amanhã. Para os dias difíceis, turvos. Como estes dias de agora.

 

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