chuva

Outono no metro

O Outono está a intrometer-se nas carruagens do metro. Entra desvairado, ora molhado, ora seco-em-folhas-castanhas. As roupas crescem pelo corpo, os adereços das senhoras multiplicam-se da cabeça aos pés – a moda está no ar, que é como quem diz, está no metro. Mudanças. Assim como as cores das linhas do metro, o transbordo, a estação do ano muda e a vida nos carris e dos carris acompanha a tendência. Sobretudo, já se espirra. Os óculos de sol são para o estilo.O sol apenas tempera o ambiente. A chuva começa a sorrir. Sim, a chuva também sorri.

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chuva, Frio

Do frio

Gente embarretada enfia-se trapalhona na carruagem do metro à procura do ar quentinho como quem rasga gente à procura de amor. Lá fora um frio, uma chuva, nomes feios – tudo seguido de adjetivos feios. Os sorrisos descongelam e as mãos despidas de luvas já vão aos telemóveis. Uma senhora aproveita o quente virico para consolar o corpo. ‘a minha casa é gelada como um frigorífico’. ‘e aqui é quente como um forno’. Pensamento em coro. Se pudéssemos prosseguiamos no metro até onde as janelas já não suassem.

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chuva, Sem categoria

da chuva

faz chuva. os guarda-chuvas atrapalham-se em curvas e contracurvas. o metro a tempo, os passageiros não. correm contra a chuva, contra o vento, sacodem água das capas, cospem os cachecóis da cara. abrem a carteira, voam papéis, voa o andante. validam o cartão, validam a viagem até ao resto do dia. a chuva não pára, o vento também não. a esperança estanca de uma ponta à outra ponta do dia. os sonhos páram – um instante – entre a respiração da manhã e a respiração da noite. caem pingos de lágrimas ao ritmo da chuva. há um hiato. um espaço de 8 horas que são um segundo. todos jogamos ao macaco chinês. quando abrimos os olhos com mau hálito ao momento em que lavamos os dentes e fechamos os olhos. entre uma coisa e outra somos estátuas, à espera da noiva-esperança, dos sonhos. à espera – que alguém diga macaco-chinês.

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