criança, pessoas&crianças, ser humano

su(de)ficiente

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Termina hoje a celebração da semana de alimentação saudável na escola da minha filha, a Maria Rita (na foto). O objectivo além de promover a alimentação saudável era angariar fundos para desenvolver e apetrechar a sala do ensino especial.

A Rita manifesta muito interesse em ajudar, dar a mão aos meninos que fazem parte deste ensino especial e que merecem ‘especial’ atenção. Eu fico feliz com as iniciativas dela.

Não deixo de corrigir sempre que ela diz, como a escola ensina: “hoje ajudei o menino especial. Especial somos todos, insisto. Penso que devemos tratar ‘os bois pelos nomes’. Se existe uma incapacidade, uma insuficiência, dizemos deficiente.

A Rita deixou o especial para lá, e agora diz: os meninos suficientes. É mesmo isso, suficientes. Aqui fui incapaz de corrigir. Somos suficientes na nossa condição.

Como diria Clarice Lispector num verso: E se me achar esquisita,
respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.

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coisas de mulher, Media

Estudos exigem todas as respostas

 A Deco Protest publicou um estudo sobre 14 batons que contém substâncias perigosas à saúde. A NiT divulgou e noticiou o assunto. Eis aqui a notícia e a lista para consulta do que se deve ou não comprar. Até aqui tudo bem.

O artigo está bem escrito, o tema é importante, merece ser publicado. No entanto, carece de resposta em pontos essenciais para o público, e sobretudo, para não alarmar consumidores.

 Faltam respostas às perguntas: o que diz o Infarmed? Por que razão as farmácias têm à venda os produtos referenciados? O que acontece noutros pontos do mundo, pois são visadas marcas internacionais?

A grande pergunta que fica no ar é o propósito deste tipo de estudo, e a ligeireza com que temas destes são tratados. Se está em causa a saúde pública, estas investigações deveriam estar bem fundamentadas com informações cruzadas de várias fontes.

Há credibilidade nos estudos da Deco Protest? Sim, mas como é possível, nestes tempos que correm, com tantas entidades de vigilância entrar no mercado produtos infestados de mal? Mais uma pergunta por responder!

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alegria, coisas de mulher, criança, gente do porto, livros, ser humano, solidariedade

EVERY GIRL

Every Girl é o nome de um futuro livro e também um movimento internacional que pretende abraçar todos – mulheres, homens, meninas e meninos. No Every Girl são contadas histórias da infância de mulheres de todos os países. Sim, isso mesmo, de todo o mundo!

A ideia é aconchegar culturas, aproximar histórias e partilhas de pessoas diferentes, mas iguais.

A ideia partiu de uma menina do mundo chamada Claire Read. Já conta com inúmeras ajudas e voluntários que acreditam que através de histórias contadas às crianças sobre as diferenças culturais de cada país, essas diversidades enraízam-se do modo mais positivo.

Aliado a esta ideia genial e bestial está um acto solidário: 25% dos lucros do Every Girl vão para a www.salamuk.org, uma associação de apoio a refugiados, que dá voz à fragilidade das crianças e se preocupa com o empoderamento feminino.

Vamos ajudar? Visitem: https://www.iameverygirl.org/about

E CONTRIBUAM!

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coisas de mulher, gente do porto, mulher, ser humano

dia internacional do ser humano

A semana passada assistimos ao triste episódio de um eurodeputado dizer no Parlamento Europeu que as mulheres devem ganhar menos, uma vez que “são mais frágeis e menos inteligentes”. isto, foi dia 2 de Março de 2017. 2017.

Hoje, no dia internacional da Mulher, querido, envio-te estas palavras, para que aprendas, embrulhes e te lembres sempre:

Fixa estes grandes nomes de feministas, mulheres, pessoas, seres humanos que fazem de ti um nojo:

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criança, Sem categoria

No desgaste do dia

Há uma pequena que me fita o olho já no desgaste do dia. Será que me tenta adivinhar os sonhos? Eu tento adivinhar os dela. Quer ser mãe e ter filhos, muitos – quando crescer. Depois quer ser médica, ao mesmo tempo de cantora, claro. Quer correr o mundo com o apaixonado, as amigas, e os filhos. Quer crescer e ver os pais sempre no mesmo lugar – nem mais novos, nem mais velhos.

Possivelmente, a garota de fita à roda da cabeça já me acha crescida o suficiente para ter todos os sonhos dela e mais alguns. Conto-lhe a verdade? Que a vida é longa, mas também curta para somar sonhos. Todos, pelo menos. Que um ou outro andaram perto, que um se realizou que até parece mentira, e uns quantos andam aos caídos em agendas, em pontos de ‘cheklist’ à espera de visto de concretização? Que existe tanta coisa fora do nosso controlo que sabemos na realidade da idade que não vão sair do papel?

Esta realidade  que contrasta com a inocência dos olhos da menina que me fita…já no desgaste do dia…a contrastar com o desgaste dos anos.

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coisas de mulher, Sem categoria

Dos tacões

ela entrou no metro aos tropeções. primeiro tropeçou num tacão. depois o outro falhou. mesmo à entrada do metro. mesmo à mercê da gargalhada alheia. a miúda com cara pintada de mulher devia ter uns 17 anos. de livros na mão e castigada pela chuva, entrou no metro já corada pelo sucedido – como se ainda estivesse a ensaiar a personagem para as amigas na escola. tentava trejeitos de mulher, mas quando levava as unhas à boca denunciava a miudeza dos anos. começou a baloiçar os longos cabelos, e os outros passageiros torciam a cara pelo vento e pingos de chuva que saiam da cabeça da miúda-que-tentava-ser-mulher. a vida é muito perspicaz: faz-nos quer ser grandes, quando pequenos, para aguentarmos todas as vezes que os tacões falham, e faz-nos ficar mais meninos, quando velhinhos, para irmos desta, com a sensação de não estarmos cansados por termos levantado tantos tacões.

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