Do frio

Gente embarretada enfia-se trapalhona na carruagem do metro à procura do ar quentinho como quem rasga gente à procura de amor. Lá fora um frio, uma chuva, nomes feios – tudo seguido de adjetivos feios. Os sorrisos descongelam e as mãos despidas de luvas já vão aos telemóveis. Uma senhora aproveita o quente virico para consolar o corpo. ‘a minha casa é gelada como um frigorífico’. ‘e aqui é quente como um forno’. Pensamento em coro. Se pudéssemos prosseguiamos no metro até onde as janelas já não suassem.