EVERY GIRL

Every Girl é o nome de um futuro livro e também um movimento internacional que pretende abraçar todos – mulheres, homens, meninas e meninos. No Every Girl são contadas histórias da infância de mulheres de todos os países. Sim, isso mesmo, de todo o mundo!

A ideia é aconchegar culturas, aproximar histórias e partilhas de pessoas diferentes, mas iguais.

A ideia partiu de uma menina do mundo chamada Claire Read. Já conta com inúmeras ajudas e voluntários que acreditam que através de histórias contadas às crianças sobre as diferenças culturais de cada país, essas diversidades enraízam-se do modo mais positivo.

Aliado a esta ideia genial e bestial está um acto solidário: 25% dos lucros do Every Girl vão para a www.salamuk.org, uma associação de apoio a refugiados, que dá voz à fragilidade das crianças e se preocupa com o empoderamento feminino.

Vamos ajudar? Visitem: https://www.iameverygirl.org/about

E CONTRIBUAM!

16143485_318067788594119_4163685920928863341_o.png

Anúncios

A cusquice dos olhos no jornal do vizinho

Gosto muito da cusquice dos olhos no livro, jornal, telemóvel ou computador do vizinho do lado.

É inevitável. Sentámo-nos e se o vizinho do lado estiver agarrado a qualquer um daqueles objetos, os nosso olhos ganham personalidade coscuvilheira. Curiosidade, interesse, cusquice? Não sei. Se enfiámos as mãos no colo, se o lado da janela está ocupado, para onde se dirigem os olhos? Para aquela página do jornal que contornamos até poder ler o título todo, numa espécie de coreografia que ganha velocidade à medida que a pessoa na posse do jornal se apercebe, e faz de tudo para nos dificultar a tarefa.

E nós versus eles, enterramos ainda mais os olhos, ao desafio, e neste ponto, de um zás brusco, pumbas, o vizinho muda a página, a mostrar mau génio. Pior: fecha-o, guarda-o. Como quem diz: este jornal é todo meu, se quiseres compra o teu.

Se enfiámos as mãos no colo, se o lado da janela está ocupado, para onde se dirigem os olhos? Para aquela página do jornal que contornamos até poder ler o título todo, numa espécie de coreografia que ganha velocidade à medida que a pessoa na posse do jornal se apercebe, e faz de tudo para nos dificultar a tarefa.

Dos livros

Na carruagem do metro que eu escolho vão sempre pessoas com livros como se fossem filhos. Os livros sentam-se no colo, a pessoa está ali mas não está ali. É aqui que a minha curiosidade extravasa. Seja homem ou mulher, agarra o livro como se alguém fosse agente de execução e penhorasse o livro. Agarram com força o livro nas mãos, encostam-no à cara como se se tivessem esquecido os óculos em casa, e sempre que algum olho alheio tenta perceber o título ou o autor, o livro, na carruagem como troféu, é imediatamente escondido entre os braços. ‘tu põe-te fina, tu nem tentes pegar no livro, tu não olhas o meu livro, o livro é só meu’. É um gesto mimado. Escrevia eu que as pessoas que lêem no metro não sabem que estão no metro. Navegam. Viajam – dentro de si mesmas. Tornam-se outras – nos breves minutos que a viagem do metro dura – as mesmas linhas de uma história qualquer fechada entre duas capas – as pessoas que trazem ao colo um livro não tiraram o andante, mas sim um bilhete além da minha carruagem.