gente do porto, melhor destino europeu

Elis, o Porto, o Progresso

O progresso do futuro começa, muitas vezes, lá trás no passado. O cinema antigo foi resgatado no Porto. É um exemplo em que o progresso puxou rotinas antigas da cidade.

Existem muitos filmes em exibição no cinema dos grandes centros comerciais. Mas, aproveitando o cartão tripass e ajudando à manutenção da excelente iniciativa de oferecer (novamente) os cinemas Trindade e Passos Manuel ao Porto, fomos espreitar a vida e obra da pequena grande Elis ao Trindade.

Uma estória na tela muito bem contada por Hugo Prata e um acrescento à nossa sabedoria. Almas arrojadas têm vidas tão curtas quanto intensas.

O que me trouxe a este post não é tanto o filme da Elis que merece um texto só dele, mas o progresso do café Progresso.

O filme terminou cedo, deu para uma volta no centro da cidade, a coscuvilhar o belo que a cidade se transformou – cheia de gente, logo, cheia de vida. Uma ida ao café Progresso. O nome do café antigo parece que se reflectiu no seu espaço físico.

Funcionários internacionais, a arranhar um quase português, mobília nova, máquinas novas. ‘O café de saco’ mantém-se, exorta o funcionário. ‘E o chão’, exclama ainda.

E, nós, eu e o meu marido, alucinados com tanto progresso, absolutamente desnecessário. Nada contra a empregados novos, vindos de longe, sem a pátria portuguesa na língua – eu própria trabalhei lá fora a arranhar mal outra língua; não obstante, precisaria o Progresso de tanto progresso para acompanhar a Era Moderna deste Porto que se internacionalizou? Não me parece. O Porto ganhou espaços novos, muitos, trouxe cinema antigo à cidade, ganhou nova clientela e animou a antiga clientela. Tudo fixe. Os espaços antigos que sejam fiéis a si mesmo, têm lugar cativo.

A pergunta que fica: será que num futuro próximo o passado virá arrependido para um novo Progresso?

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O som que o metro faz ao chegar

O Porto foi considerado, uma vez mais, o melhor destino europeu, e o sol regressou ao céu, em esplendor. A acompanhar a farra destes dias que eleva o sentimento tripeiro assiste-se à mudança de humor nas pessoas que levam a vida pelo metro. Se antes, em tempo de chuva, as caras acabrunhadas passeavam-se em silêncio; hoje as portas do metro rangem novamente. Assim como, penso, os versos da Ana Luísa Amaral. ‘O som que os versos fazem ao abrir’, escreve a poeta. Quer-me parecer que o som será idêntico, de felicidade pardacenta. Como o Porto. Sempre na sombra de um sol deslumbrante, ‘a moer um sentimento’. Não é assim?

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