Da música

Onde há música há alegria. Mas não é tanto assim, quando a melodia sai dos ouvidos de qualquer um no metro. Seja manhã, tarde ou noite, há gente e gente com phones enfiados nos ouvidos, a tentar ser invisível ao mundo. Só que o que acontece é precisamente o oposto. gente no metro com phones colados nos ouvidos atrai tudo e todos. Atrai ainda mais gente. Gente que não se importa, gente que curte, gente que não suporta, e gente que bufa. É que a música não lhes fica apenas nos ouvidos. Sai de lá de dentro e impregna-se em tudo quanto pode. Parece uma daquelas roupas que fica trilhada na gaveta do armário , se não a fecharmos com cuidado. Num destes dias no metro, um rapaz ia com a música aos berros nos ouvidos. E dormia. Pacientemente. Música? O som ia mais ou menos assim: tz, tz, tz, tz. Não saía disto. Há gostos para tudo. As frases dos avôs fazem cada vez mais sentido. A vizinha, sentada no banco ao lado bufava por todos os lados. Mexia-se no assento. Mas o rapaz não acordava e a música não se calava. Coube-me a missão de tirar o rapaz do mundo dos sonhos. Olhou-me de lado. ‘Será que podias baixar o som, se faz favor’, pedi. ‘rgghhhrrrgghh’, respondeu. A senhora agradeceu com um sorriso. Voltou a realidade com a música de todos os dias.

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