criança, pessoas&crianças, ser humano

su(de)ficiente

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Termina hoje a celebração da semana de alimentação saudável na escola da minha filha, a Maria Rita (na foto). O objectivo além de promover a alimentação saudável era angariar fundos para desenvolver e apetrechar a sala do ensino especial.

A Rita manifesta muito interesse em ajudar, dar a mão aos meninos que fazem parte deste ensino especial e que merecem ‘especial’ atenção. Eu fico feliz com as iniciativas dela.

Não deixo de corrigir sempre que ela diz, como a escola ensina: “hoje ajudei o menino especial. Especial somos todos, insisto. Penso que devemos tratar ‘os bois pelos nomes’. Se existe uma incapacidade, uma insuficiência, dizemos deficiente.

A Rita deixou o especial para lá, e agora diz: os meninos suficientes. É mesmo isso, suficientes. Aqui fui incapaz de corrigir. Somos suficientes na nossa condição.

Como diria Clarice Lispector num verso: E se me achar esquisita,
respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.

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pessoas&crianças, Sem categoria

manjar e não manjar

ela, mãe, espetou o teste de inglês da filha na cara do pai. a filha encolhia-se até onde podia no banco ao lado da mãe. as palavras da mãe eram confetis no ar. ‘ela não manja nada de inglês. se se admite, satisfaz’. a filha de 12 anos num corpo de 14, sorria-se cada vez mais fundo no banco. todos na carruagem ficámos a saber que o inglês não é o forte da garota. o pai fungava risos no lenço que levava ao nariz cada vez que falava. ‘manjas tu, querem ‘ber’. ‘eu na idade dela manjava’. a garota intrometia um ‘mas’. mas os pais empurravam lá para dentro do corpo de 14 o ‘mas’. e a garota continuava a tentar projetar cá para fora ‘mas’. e os pais não manjavam que a filha queria talvez vincar alguma ideia naquele satisfaz de inglês. ‘mas’, venceu, por fim, a garota, ‘tirei excelente a físico-química’. quis-me parecer que toda a carrugem a quis felicitar, aplaudir, festejar o excelente. porque, há uma leve certeza em mim que são poucos os que ‘manjam’ de símbolos químicos.

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