ser humano, solidariedade

O fogo que apagou vidas e não se deixa apagar

Há metros de histórias mais felizes do que outros, e eu prefiro sempre contar aquelas histórias que por serem de sorriso tão aberto nos levam à lágrima funda.  Hoje, venho desabafar umas palavras tristes.

Este ano Portugal viveu verdadeiros desastres florestais, fogo que apagou mais de uma centena de vidas e deu cabo do ambiente. É inacreditável que em escassos três meses o fogo ganhasse tantos hectares de território.

Em Junho defendi a ministra com a pasta com estes assuntos. Acho que a demissão não é uma solução, mas um acrescento ao problema. À primeira tragédia um ministro tem de mostrar o que vale e arregaçar as mangas. Em Pedrogão dei o benefício da dúvida de quem nos governa. Mas é negativamente estupendo como é que uma tragédia destas assola novamente um país tão pequeno como Portugal no hiato de escassos meses. A culpa não é desta ministra – diretamente abordando a questão.

As causas estão muito lá trás na falta de ordenamento do território, nos interesses industriais e mesmo políticos, da aposta em áreas imensas de eucaliptos, na falta de apoio do Estado a corporações, falta de formação, falta de investimento em postos de vigia – os especialistas vão dando dicas.

O que mais dói é a ligeireza no trato, no discurso, na falta de responsabilização. Conferências de imprensa sem humanidade nas palavras. Perderam-se vidas, uma que fosse, seria sempre trágico. E a procissão continua, e parece que nada muda. Não há evolução. São publicados relatórios onde se confirma o falhanço das autoridades máximas, o problema persiste, e nada avança, como se o povo, nós, não tivéssemos voz.

Façamo-nos ouvir.

 

 

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EVERY GIRL

Every Girl é o nome de um futuro livro e também um movimento internacional que pretende abraçar todos – mulheres, homens, meninas e meninos. No Every Girl são contadas histórias da infância de mulheres de todos os países. Sim, isso mesmo, de todo o mundo!

A ideia é aconchegar culturas, aproximar histórias e partilhas de pessoas diferentes, mas iguais.

A ideia partiu de uma menina do mundo chamada Claire Read. Já conta com inúmeras ajudas e voluntários que acreditam que através de histórias contadas às crianças sobre as diferenças culturais de cada país, essas diversidades enraízam-se do modo mais positivo.

Aliado a esta ideia genial e bestial está um acto solidário: 25% dos lucros do Every Girl vão para a www.salamuk.org, uma associação de apoio a refugiados, que dá voz à fragilidade das crianças e se preocupa com o empoderamento feminino.

Vamos ajudar? Visitem: https://www.iameverygirl.org/about

E CONTRIBUAM!

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O pedido

Todos os dias há um pedido. Uma cara anónima que encontra no meu olhar o conforto suficiente para pedir o pão, uma moeda, as fraldas do bebé, uma sopa. Primeiro desconfiamos, julgamos o aspeto, o cheiro, se fala verdade, se fala mentira. Ficamos perdidos a boiar na mente escura: ‘ajudo, não ajudo’.’ Onde estão os que devem ajudar, o Estado?’ Depois chega a filosofia, a consciência:’ amanhã posso ser eu, posso precisar de ajuda’. Quem disse: um homem só deve levar a mão a outro se for para ajudar?

Sempre um pedido. Uma moeda que se pede. Uma mão que se estende. Na rua. No metro. Hoje essa mão veio de um senhor de idade para lá dos 60 anos. Homem asseado, eloquente, cabelo branco, pele limpa. Mas. Mas com os olhos envidraçados, a brilhar, a estender a mão, à procura de uma moeda que o ajudasse. Que o salvasse. Porque ‘era o comer, era a botija de gás’.

Da boca saíram-lhe um rol de males. Que vem desde trás. ‘O divórcio, o diabetes, os ossos, a construção civil, amputação dos dedos, o comer que tinha que ser especial – os diabetes’, dizia.

Dizia ainda: ‘a reforma por invalidez que chegou tarde, o dinheiro da reforma por invalidez que demora a chegar’.

A Segurança Social? ‘Meteram-me numa instituição para toxicodependentes. Não me adaptei aquele ambiente, pedia à doutora para me tirar de lá, estava a ficar com a saúde pior. É melhor a garagem de um amigo’.

O centro de Saúde? ‘Gasto muito em medicação’. Passo dias nos hospitais’.

Sou uma centelha. Não passo disto no mundo. Podia fazer mais, mas também podia fazer menos. Não fui em nenhuma missão, não faço parte do grupo de corajosos que dão a vida na Síria para resgatar inocentes ao Daesh. Sou pequena, por isso, decidi meter-me nesta missão invisível e pequena de responder aos pedidos. Para sim ou para não. Mas responder. À minha proporção.

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Da solidariedade

Há quase duas semanas o impensável aconteceu. Em 2017 pessoas morreram carbonizadas numa estrada nacional num país desenvolvido. O coração minga perante estas tragédias, fica pequeno de triste, molhado de tantas lágrimas. É inevitável pensar na vida – num momento estamos cá a aproveitar a família, os amigos, o trabalho, as férias, a saúde – e no momento seguinte, perdemos tudo. Perguntas assolam a mente: o que sentir, o que pensar, vasculhamos o sentido da Fé. Penso que a melhor homenagem que podemos fazer aqueles que partiram é elogiar a vida, prosseguir o caminho com esperança e perseverança. Sobretudo com amor. Portugal tem gente que sabe erguer. Tem gente que sabe dar a mão. Perante o drama soubemos dar voz à corrente da solidariedade ao ligar inúmeras vezes o 760 e/ou comprar bilhete para um concerto que reuniu centenas de profissionais em nome da palavra Ajuda. Agora é preciso manter a força no coração e manter a solidariedade. A solidariedade é para todos os dias. O amor também. Assim, fazemos um mundo melhor. Assim, vivemos.

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