ser humano

casa

casa

ca·sa 
(latim casa-aecabanacasebre)

substantivo feminino

1. Nome genérico de todas as construções destinadas a habitação.

Casa, o lugar onde nos sentimos seguros. O sítio onde guardamos todos os dias as tralhas de cada dia. O lugar onde recolhemos com a sinceridade da lágrima e do riso. O espaço onde encontramos o abraço certo, onde nos despimos de máscaras e podemos dançar sem passos decorados a nossa personalidade.
Em casa dispomos a mobília como queremos, de acordo com o o nosso gosto. Lá realizamos todas as necessidades.
A casa de um homem é o seu castelo dizia Edward Coke, político inglês do século XVII.
Basta em algum canto a cor de uma laranja, uma moldura para visitar uma memória, e um agasalho para a ocasião, e mesmo a céu aberto construir uma casa, mesmo que fugindo do seu significado.
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Frio, ser humano

A solidão é a perfeita companheira da morte

A solidão é a perfeita companheira da morte. Um homem, português, novo, talentoso, longe do aconchego da cultura, da família, dos amigos; morre só, ao frio, lá longe, na terra desprovida do adusto da vida – Londres.

Em 2018, às portas do parlamento britânico, um emigrante português, um ser humano, perdeu a vida na própria casa. Era sem-abrigo, a sua casa era a estação de metro de Westminster. É uma casa sem cozinha, sem sala, sem quarto, sem casa de banho. Com muita gente a passar. Só a passar, sem ver. Muita gente, demasiada gente, que passa e não olha, que passa e não vê, que passa e não repara.

A nossa Humanidade diminui, sentimo-nos pequenos, impotentes. A conversa regressa ao princípio, regressa à mesma pergunta: onde é que estamos a falhar? Com os políticos, os primeiros, supostamente a ter que dar o exemplo, os últimos a agir. Jeremy Corbyn, líder do partido Trabalhista inglês, surge a lamentar que os deputados nada puderam fazer, e a varrer o assunto com flores para dentro da estação, onde morreu uma pessoa, sozinha, à procura de trabalho, ao frio, numa cidade gigante, com tanta a gente a passar e a não ver, a não olhar, a não reparar.

Até quando? De acordo com associações e amigos este sem-abrigo, português, estava inscrito no centro de emprego, à procura de trabalho, já tinha trabalhado, perdeu o trabalho. Ficou a zero perante o empreendimento que é a vida.

Até quando?

Onde estamos a falhar?

Os governantes, os responsáveis máximos são obrigados a responderem a estas perguntas. A fazer mais. A não varrer flores para onde quer que seja. Estão obrigados pôr em prática ações para dar vida à vida de todos os cidadãos.

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ser humano

Assustadoramente dois enfermeiros

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Assustadoramente, dois enfermeiros. O trabalho de dois enfermeiros num único turno, ao qual se soma o trabalho de duas auxiliares para o serviço de ortopedia do Hospital de Santo António no Porto. Um serviço preenchido maioritariamente por pessoas idosas com a autonomia abalada, causada por quedas desajustadas à idade.

Contei uma, duas, três, quatro, cinco, seis, salas ou enfermarias, cada uma, com três camas, fora destas contas, ainda uma outra sala, que recebe oito camas com recepção do serviço incluído.

E assustadoramente: para mudar fraldas, lençóis, ajudar a dar a comida aos doentes, dar a medicação, subir cama e baixar cama, assustadoramente dois enfermeiros, duas auxiliares.

a s s u s t a d o r a m e n t e.

Este é o nosso SNS. Dois enfermeiros impecáveis, profissionais, atenciosos. Contudo, o sorriso largo e a agilidade de dois enfermeiros não suprime a necessidade gorda de cerca de 23 pacientes no corredor de um serviço tão exigente como é o de ortopedia.

A saúde só pode ser ‘saudável’ com a contratação e com recursos humanos suficientes e eficientes. Não é o caso. De todo.

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Poesia

Serra da Estrela de Jorge Sousa Braga

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A minha ida este fim-de-semana à serra da Estrela levou-me até este poema do Jorge Sousa Braga. Médico e poeta genial português.

Podemos ainda recordar esta belíssima entrevista que o poeta deu ao Expresso em Março de 2015.

 

Boletim Meteorológico de Jorge Sousa Braga 

Céu muito nublado vento

fraco moderado de sudoeste

soprando forte nas terras

altas aguaceiros em especial

nas regiões do Norte e Centro

e que serão de neve nos

pontos mais altos da Serra

da Estrela e no teu coração.

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Poesia

Poema do esparguete, do frango, dos pedacinhos de cenoura e da tenaz

hoje de manhã lembrei-me da tenaz cor-de-laranja   da minha mãe.

a tenaz sabe a esparguete de frango com pedacinhos de cenoura. ela está suja.

pedacinhos de cenoura, de frango, de esparguete.

essa tenaz. diz-se tenaz?

a tenaz leva-me aqueles dias na rua joão vieira.

parece que a minha memória cabe inteira naquela rua inteira.

o esparguete, o frango, os pedacinhos de cenoura sabem-me

à pele lisa da minha mãe.

à cabeça peluda do meu pai.

à inexistência do meu irmão.

o meu presente que na ocasião era futuro, lugar onde nada disto existia.

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Poesia

O telúrico Torga

Escrevo hoje sobre o dia de ontem.

Ontem fez 23 anos que o poeta português Miguel Torga morreu.

Miguel Torga fez parte do meu currículo de português do 12º ano. Fazia parte da trilogia dos poetas da natureza: Sophia, Eugénio e Miguel.

É considerado um poeta telúrico cujos poetas ganham raízes na terra, são poemas frescos, construídos com palavras ligadas à natureza.

Este é dos meus poemas preferidos e que me deram de presente juntamente com o meu diploma precisamente do 12º ano.

Vamos recordá-lo:

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alegria, ser humano, solidariedade

Carta da Compaixão – uma carta que une religiões numa iniciativa internacional

Logo Charter for Universal Compassion

Carta da Compaixão é um documento elaborado por personalidades religiosas de praticamente todo o mundo, e surge no âmbito de uma iniciativa internacional que pretende alertar para a necessidade de entender o próximo.
Ideia lançada em Fevereiro do 2011 por Karen Armstrong, uma ex-freira católica que se tem dedicado ao estudo das religiões monoteístas, a Semana da Compaixão iniciou-se em Dezembro de 2012 com a revelação da Carta da Compaixão.
Em Portugal, o ponto alto das celebrações aconteceu numa cerimónia que reuniu ateus, agnósticos e representantes das várias religiões e credos.
Durante uma semana, nos templos das várias confissões religiosas, desde católicos a hindus, passando por budistas, muçulmanos, baha’is, ismaelitas e judeus, ocorreram homilias, sermões e alocuções em que o tema central vai ser a compaixão, esclareceu, na ocasião, à comunicação social, Abdool Vakil, que chefia a comissão portuguesa para a Carta da Compaixão.
Abdool Vakil integra a European Muslim Network, um grupo de reflexão a nível europeu que aderiu à iniciativa lançada por Karen Armstrong e que conta com o patrocínio do Dalai Lama.

Se quiseres assinar a Carta da Compaixão e ficares mais envolvido nesta iniciativa que é do Mundo clica aqui.

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