No desgaste do dia

Há uma pequena que me fita o olho já no desgaste do dia. Será que me tenta adivinhar os sonhos? Eu tento adivinhar os dela. Quer ser mãe e ter filhos, muitos – quando crescer. Depois quer ser médica, ao mesmo tempo de cantora, claro. Quer correr o mundo com o apaixonado, as amigas, e os filhos. Quer crescer e ver os pais sempre no mesmo lugar – nem mais novos, nem mais velhos.

Possivelmente, a garota de fita à roda da cabeça já me acha crescida o suficiente para ter todos os sonhos dela e mais alguns. Conto-lhe a verdade? Que a vida é longa, mas também curta para somar sonhos. Todos, pelo menos. Que um ou outro andaram perto, que um se realizou que até parece mentira, e uns quantos andam aos caídos em agendas, em pontos de ‘cheklist’ à espera de visto de concretização? Que existe tanta coisa fora do nosso controlo que sabemos na realidade da idade que não vão sair do papel?

Esta realidade  que contrasta com a inocência dos olhos da menina que me fita…já no desgaste do dia…a contrastar com o desgaste dos anos.

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